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07/03
DEUTERONÔMIO 32
1 Inclinai os ouvidos, ó céus, e falarei; e ouça a terra
as palavras da minha boca.
2 Caia como a chuva a minha doutrina; destile a minha
palavra como o orvalho, como chuvisco sobre a erva e
como chuvas sobre a relva.
3 Porque proclamarei o nome do Senhor; engrandecei o
nosso Deus.
4 Ele é a Rocha; suas obras são perfeitas, porque todos
os seus caminhos são justos; Deus é fiel e sem
iniqüidade; justo e reto é ele.
5 Corromperam-se contra ele; não são seus filhos, e isso
é a sua mancha; geração perversa e depravada é.
6 É assim que recompensas ao Senhor, povo louco e
insensato? não é ele teu pai, que te adquiriu, que te
fez e te estabeleceu?
7 Lembra-te dos dias da antigüidade, atenta para os
anos, geração por geração; pergunta a teu pai, e ele te
informará, aos teus anciãos, e eles to dirão.
8 Quando o Altíssimo dava às nações a sua herança,
quando separava os filhos dos homens, estabeleceu os
termos dos povos conforme o número dos filhos de Israel.
9 Porque a porção do Senhor é o seu povo; Jacó é a parte
da sua herança.
10 Achou-o numa terra deserta, e num erma de solidão e
horrendos uivos; cercou-o de proteção; cuidou dele,
guardando-o como a menina do seu olho.
11 Como a águia desperta o seu ninho, adeja sobre os
seus filhos e, estendendo as suas asas, toma-os, e os
leva sobre as suas asas,
12 assim só o Senhor o guiou, e não havia com ele deus
estranho.
13 Ele o fez cavalgar sobre as alturas da terra, e comer
os frutos do campo; também o fez chupar mel da rocha e
azeite da dura pederneira,
14 coalhada das vacas e leite das ovelhas, com a gordura
dos cordeiros, dos carneiros de Basã, e dos bodes, com o
mais fino trigo; e por vinho bebeste o sangue das uvas.
15 E Jesurum, engordando, recalcitrou (tu engordaste, tu
te engrossaste e te cevaste); então abandonou a Deus,
que o fez, e desprezou a Rocha da sua salvação.
16 Com deuses estranhos o moveram a zelos; com
abominações o provocaram à ira:
17 Ofereceram sacrifícios aos demônios, não a Deus, a
deuses que não haviam conhecido, deuses novos que
apareceram há pouco, aos quais os vossos pais não
temeram.
18 Olvidaste a Rocha que te gerou, e te esqueceste do
Deus que te formou.
19 Vendo isto, o Senhor os desprezou, por causa da
provocação que lhe fizeram seus filhos e suas filhas;
20 e disse: Esconderei deles o meu rosto, verei qual
será o seu fim, porque geração perversa são eles, filhos
em quem não há fidelidade.
21 A zelos me provocaram cem aquilo que não é Deus, com
as suas vaidades me provocaram à ira; portanto eu os
provocarei a zelos com aquele que não é povo, com uma
nação insensata os despertarei à ira.
22 Porque um fogo se acendeu na minha ira, e arde até o
mais profundo do Seol, e devora a terra com o seu fruto,
e abrasa os fundamentos dos montes.
23 Males amontoarei sobre eles, esgotarei contra eles as
minhas setas.
24 Consumidos serão de fome, devorados de raios e de
amarga destruição; e contra eles enviarei dentes de
feras, juntamente com o veneno dos que se arrastam no
pó.
25 Por fora devastará a espada, e por dentro o pavor,
tanto ao mancebo como à virgem, assim à criança de peito
como ao homem encanecido.
26 Eu teria dito: Por todos os cantos os espalharei,
farei cessar a sua memória dentre os homens,
27 se eu não receasse a vexação da parte do inimigo,
para que os seus adversários, iludindo-se, não
dissessem: A nossa mão está exaltada; não foi o Senhor
quem fez tudo isso.
28 Porque são gente falta de conselhos, e neles não há
entendimento.
29 Se eles fossem sábios, entenderiam isso, e atentariam
para o seu fim!
30 Como poderia um só perseguir mil, e dois fazer rugir
dez mil, se a sua Rocha não os vendera, e o Senhor não
os entregara?
31 Porque a sua rocha não é como a nossa Rocha, sendo
até os nossos inimigos juízes disso.
32 Porque a sua vinha é da vinha de Sodoma e dos campos
de Gomorra; as suas uvas são uvas venenosas, seus cachos
são amargos.
33 O seu vinho é veneno de serpentes, e peçonha cruel de
víboras.
34 Não está isto encerrado comigo? selado nos meus
tesouros?
35 Minha é a vingança e a recompensa, ao tempo em que
resvalar o seu pé; porque o dia da sua ruína está
próximo, e as coisas que lhes hão de suceder se apressam
a chegar.
36 Porque o Senhor vindicará ao seu povo, e se
arrependerá no tocante aos seus servos, quando vir que o
poder deles já se foi, e que não resta nem escravo nem
livre.
37 Então dirá: Onde estão os seus deuses, a rocha em que
se refugiavam,
38 os que comiam a gordura dos sacrifícios deles e
bebiam o vinho das suas ofertas de libação? Levantem-se
eles, e vos ajudem, a fim de que haja agora refúgio para
vós.
39 Vede agora que eu, eu o sou, e não há outro deus além
de mim; eu faço morrer e eu faço viver; eu firo e eu
saro; e não há quem possa livrar da minha mão.
40 Pois levanto a minha mão ao céu, e digo: Como eu vivo
para sempre,
41 se eu afiar a minha espada reluzente, e a minha mão
travar do juízo, então retribuirei vingança aos meus
adversários, e recompensarei aos que me odeiam.
42 De sangue embriagarei as minhas setas, e a minha
espada devorará carne; do sangue dos mortes e dos
cativos, das cabeças cabeludas dos inimigos
43 Aclamai, ó nações, com alegria, o povo dele, porque
ele vingará o sangue dos seus servos; aos seus
adversários retribuirá vingança, e fará expiação pela
sua terra e pelo seu povo.
44 Veio, pois, Moisés, e proferiu todas as palavras
deste cântico na presença do povo, ele e Oséias, filho
de Num.
45 E, acabando Moisés de falar todas essas palavras a
todo o Israel,
46 disse-lhes: Aplicai o vosso coração a todas as
palavras que eu hoje vos testifico, as quais haveis de
recomendar a vossos filhos, para que tenham cuidado de
cumprir todas as palavras desta lei.
47 Porque esta palavra não vos é vã, mas é a vossa vida,
e por esta mesma palavra prolongareis os dias na terra à
qual ides, passando o Jordão, para a possuir.
48 Naquele mesmo dia falou o Senhor a Moisés, dizendo:
49 Sobe a este monte de Abarim, ao monte Nebo, que está
na terra de Moabe, defronte de Jericó, e vê a terra de
Canaã, que eu dou aos filhos de Israel por possessão;
50 e morre no monte a que vais subir, e recolhe-te ao
teu povo; assim como Arão, teu irmão, morreu no monte
Hor, e se recolheu ao seu povo;
51 porquanto pecastes contra mim no meio dos filhos de
Israel, junto às águas de Meribá de Cades, no deserto de
Zim, pois não me santificastes no meio dos filhos de
Israel.
52 Pelo que verás a terra diante de ti, porém lá não
entrarás, na terra que eu dou aos filhos de Israel.
DEUTERONÔMIO 33
1 Esta é a bênção com que Moisés, homem de Deus,
abençoou os filhos de Israel antes da sua morte.
2 Disse ele: O Senhor veio do Sinai, e de Seir raiou
sobre nós; resplandeceu desde o monte Parã, e veio das
miríades de santos; à sua direita havia para eles o fogo
da lei.
3 Na verdade ama o seu povo; todos os seus santos estão
na sua mão; postos serão no meio, entre os teus pés, e
cada um receberá das tuas palavras.
4 Moisés nos prescreveu uma lei, uma herança para a
assembléia de Jacó.
5 E tornou-se rei em Jesurum, quando se congregaram os
cabeças do povo juntamente com as tribos de Israel.
6 Viva Rúben, e não morra; e não sejam poucos os seus
homens.
7 E isto é o que disse de Judá: Ouve, ó Senhor, a voz de
Judá e introduze-o no meio do seu povo; com as suas mãos
pelejou por si; sê tu o seu auxílio contra os seus
inimigos.
8 De Levi disse: Sejam teu Tumim e teu Urim para o teu
homem santo, que provaste em Massá, com quem contendeste
junto às águas de Meribá;
9 aquele que disse de seu pai e de sua mãe: Nunca os vi,
e não reconheceu a seus irmãos, e não conheceu a seus
filhos; pois esses levitas guardaram a tua palavra e
observaram o teu pacto.
10 Ensinarão os teus preceitos a Jacó, e a tua lei a
Israel; chegarão incenso ao seu nariz, e porão
holocausto sobre o teu altar.
11 Abençoa o seu poder, ó Senhor, e aceita a obra das
suas mãos; fere os lombos dos que se levantam contra ele
e o odeiam, para que nunca mais se levantem.
12 De Benjamim disse: O amado do Senhor habitará seguro
junto a ele; e o Senhor o cercará o dia todo, e ele
habitará entre os seus ombros.
13 De José disse: Abençoada pelo Senhor seja a sua
terra, com os mais excelentes dons do céu, com o
orvalho, e com as águas do abismo que jaz abaixo;
14 com os excelentes frutos do sol, e com os excelentes
produtos dos meses;
15 com as coisas mais excelentes dos montes antigos, e
com as coisas excelentes dos outeiros eternos;
16 com as coisas excelentes da terra, e com a sua
plenitude, e com a benevolência daquele que habitava na
sarça; venha tudo isso sobre a cabeça de José, sobre o
alto da cabeça daquele que é príncipe entre seus irmãos.
17 Eis o seu novilho primogênito; ele tem majestade; e
os seus chifres são chifres de boi selvagem; com eles
rechaçará todos os povos, sim, todas as extremidades da
terra. Tais são as miríades de Efraim, e tais são os
milhares de Manassés.
18 De Zebulom disse: Zebulom, alegra-te nas tuas saídas;
e tu, Issacar, nas tuas tendas.
19 Eles chamarão os povos ao monte; ali oferecerão
sacrifícios de justiça, porque chuparão a abundância dos
mares e os tesouros escondidos da areia.
20 De Gade disse: Bendito aquele que faz dilatar a Gade;
habita como a leoa, e despedaça o braço, e o alto da
cabeça.
21 Ele se proveu da primeira parte, porquanto ali estava
reservada a porção do legislador; pelo que veio com os
chefes do povo, executou a justiça do Senhor e os seus
juízos para com Israel.
22 De Dã disse: Dã é cachorro de leão, que salta de
Basã.
23 De Naftali disse: ó Naftali, saciado de favores, e
farto da bênção do Senhor, possui o lago e o sul.
24 De Aser disse: Bendito seja Aser dentre os filhos de
Israel; seja o favorecido de seus irmãos; e mergulhe em
azeite o seu pé;
25 de ferro e de bronze sejam os teus ferrolhos; e como
os teus dias, assim seja a tua força.
26 Não há outro, ó Jesurum, semelhante a Deus, que
cavalga sobre o céu para a tua ajuda, e na sua majestade
sobre as mais altas nuvens.
27 O Deus eterno é a tua habitação, e por baixo estão os
braços eternos; ele lançou o inimigo de diante de ti e
disse: Destrói-o.
28 Israel pois habitará seguro, a fonte de Jacó a sós,
na terra de grão e de mosto; e o seu céu gotejará o
orvalho.
29 Feliz és tu, ó Israel! quem é semelhante a ti? um
povo salvo pelo Senhor, o escudo do teu socorro, e a
espada da tua majestade; pelo que os teus inimigos te
serão sujeitos, e tu pisarás sobre as suas alturas.
DEUTERONÔMIO 34
1 Então subiu Moisés das planícies de Moabe ao monte
Nebo, ao cume de Pisga, que está defronte de Jericó; e o
Senhor mostrou-lhe toda a terra desde Gileade até Dã,
2 todo o Naftali, a terra de Efraim e Manassés, toda a
terra de Judá, até o mar ocidental,
3 o Negebe, e a planície do vale de Jericó, a cidade das
palmeiras, até Zoar.
4 E disse-lhe o Senhor: Esta é a terra que prometi com
juramento a Abraão, a Isaque e a Jacó, dizendo: À tua
descendência a darei. Eu te fiz vê-la com os teus olhos,
porém para lá não passarás.
5 Assim Moisés, servo do Senhor, morreu ali na terra de
Moabe, conforme o dito do Senhor,
6 que o sepultou no vale, na terra de Moabe, defronte de
Bete-Peor; e ninguém soube até hoje o lugar da sua
sepultura.
7 Tinha Moisés cento e vinte anos quando morreu; não se
lhe escurecera a vista, nem se lhe fugira o vigor.
8 Os filhos de Israel prantearam a Moisés por trinta
dias nas planícies de Moabe; e os dias do pranto no luto
por Moisés se cumpriram.
9 Ora, Josué, filho de Num, foi cheio do espírito de
sabedoria, porquanto Moisés lhe tinha imposto as mãos;
assim se filhos de Israel lhe obedeceram , e fizeram
como o Senhor ordenara a Moisés.
10 E nunca mais se levantou em Israel profeta como
Moisés, a quem o Senhor conhecesse face a face,
11 nem semelhante em todos os sinais e maravilhas que o
Senhor o enviou para fazer na terra do Egito, a Faraó: e
a todos os seus servos, e a toda a sua terra;
12 e em tudo o que Moisés operou com mão forte, e com
grande espanto, aos olhos de todo o Israel.
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