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www.4tons.com Pr. Marcelo
Augusto de Carvalho |
Curiosidades 09/06 |
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Absolutismo 1. Introdução No Feudalismo, o poder político era descentralizado, ou seja,
particularizado, não existindo o poder central. O poder estava pulverizado
pelos feudos. Cada senhor feudal era a única autoridade era seu feudo. O seu
poder estava baseado na força do costume, isto é, no direito consuetudinário
e na força militar de cada senhor. Isto não quer dizer que no período medieval não existissem reis;
havia, mas a autoridade desses soberanos era puramente nominal. Ao rei
Pertenciam nominalmente, todas as terras. Como foi visto, durante o feudalismo os
senhores feudais recebiam as terras de outros senhores, em troca de
obrigações. O senhor feudal doador de terras era conhecido como suserano e o
senhor feudal que recebia as terras era o vassalo. O rei, a quem pertenciam as terras, era o suserano-mor, cuja autoridade, no
entanto, era fraca, limitando-se, na prática, essencialmente ao comando do
conjunto das tropas dos senhores feudais em determinada região e, às vezes, a
função de juiz na luta entre os senhores feudais. A descentralização do poder político no feudalismo estava relacionada a estrutura econômica feudal. Como vimos, o feudo era a
unidade de produção medieval que produzia praticamente tudo o que era
consumido pelos seus trabalhadores e pelo senhor, mantendo poucas relações
com os outros feudos. No interior de cada feudo, a produção era realizada
fundamentalmente pelo trabalhador servil. O senhor feudal necessitava, pois,
de uma força externa para obrigar o servo a produzir para ele um excedente
econômico. No período final da Idade Média, esta situação foi se modificando com
a progressiva centralização do poder nas mãos dos reis. Foram surgindo
monarquias de caráter nacional. A crise feudal, na Europa a partir dos séculos XIV e XV, propiciou o surgimento dos Estados-nação
governados por poderosas monarquias nacionais, que em alguns caves
assumiu o cunho absolutista, como a Franca, a Espanha, a Inglaterra, Portugal
e a Rússia Diante dessa situação, o papado romano foi forçado a estabelecer
acordos com alguns reis (concordaras), que ganharam o poder de nomear bispos
e abades, em troca do apoio da Igreja em seus reinos. A Igreja também difundiu a idéia de que todas as ações desses monarcas
estavam de acordo com princípios divinos, reforçando a autoridade real
nascente. No mundo de hoje - e isto também ficou bem claro no século XIX -
parece que os povos não concebem outra forma de organização política que não
seja o Estado Nacional. No passado, as sociedades tribais não tinham
preocupação semelhante. Nem na sociedade feudal o Estado era o quadro
político dentro do qual os homens se viam como cidadãos. A formação dos Estados Nacionais na Europa adotou processos
diferentes, porém interagidos e conjugados entre si. Os eleitos que produziram foram desiguais, porém são desiguais as
realidades sociais em que atuam e a intensidade como se manifestam os
processos. O Renascimento e a Reforma Protestante não existem para a Rússia
na Inglaterra e na França eles devem ser computados entre os processos
responsáveis pela geração dos Estados Nacionais; na Alemanha e na Itália, não
favoreceram o surgimento do Estado Nacional apesar de a Alemanha ser a pátria
de Lutero e a Itália, o berço do Renascimento. 2. As monarquias absolutas O Estado Nacional é uma forma do relações
humanas e uma maneira de representá-las, de incorporá-las a consciência
social. Ambos os aspectos foram indispensáveis na formação do
Estados e estiveram ausentes na época medieval. Na verdade as monarquias
são Estados imperfeitos porque seus poderes foram
extraordinariamente limitados à medida que suas determinações não alcançaram
a massa nem possuíram os mecanismos burocráticos para transmiti-las. Para a
maioria dos camponeses franceses do século XVII, a Pátria é ainda a sua
aldeia. O Estado não tem o rosto do antigo senhor de quem o lavrador poderia
receber, eventualmente, alguma proteção em troca de serviços, trabalho ou
tributos. O Estado monárquico absolutista expõe sua face desagradável,
através do funcionários burocratas, que tendo pago
para adquirir o cargo, ou uma função pública, empenharam-se em recuperar
rapidamente o investido e, a partir dai, lucrar deliberadamente. Em função da capacidade de exercer a força para impedir o
desenvolvimento das insubordinações e das rebelais, o Estado absolutista
triunfou. Diversos segmentos sociais foram se acercando dessa nova
consciência por diversos caminhos. Produziram-se fatos, ocorreram processos
incentivadores do desenvolvimento de uma consciência nacional. À medida que o processo de centralização do poder na pessoa de um rei
Todo-Poderoso se efetivou, foram se criando condições propicias para o
aparecimento de escritores e críticos, que desenvolveram teorias sobre a
organização do Estado, formas de conduzi-lo e justificá-lo. Os principais
representantes desse grupo foram: Nicolau Maquiavel, Jean Bodin,
Hugo Grotius, Thomas Hobbes e Jacques Bossuet. 3. Os fatores que levaram à centralização do poder dos reis A progressiva centralização do poder nas mãos dos reis levou à
formação das monarquias nacionais, que mais tarde deram origem às modernas
nações, governos e instituições nacionais. É necessário frisar que a formação das monarquias nacionais foi um
processo histórico muito mais amplo, que, em hipótese alguma, se limita
apenas ao período de transição do Feudalismo ao Capitalismo. Somente a título
de exemplo, vale lembrar que a consolidação dos Estados Nacionais
italiano e alemão somente se completou na segunda metade do século
XIX. É importante também observar que o aparecimento dos Estados Nacionais
não significou a superação definitiva dos Estados Feudais, uma vez que isso
só vai ocorrer após a Revolução Francesa (1789), com a derrubada do
absolutismo. Durante a Idade Moderna, os próprios reis permitiram a existência de
pequenas propriedades agrícolas, com características nitidamente feudais,
controladas pela nobreza, que teve assegurado o seu direito de continuar a
explorar uma massa de camponeses. De um modo geral, diversos foram os fatores que contribuíram para a
formação dos Estados Nacionais na Europa Ocidental, a
medida que se acentuava a decadência do sentido de universalidade e dos
particularismos feudais. Dentre eles, podemos apontar. • Insurreições camponesas - Geram um clima de insegurança na nobreza,
que contribui para demonstrar a necessidade de um exército real forte que as
contenha. Neste sentido, foram um fator de domestificação do particularismo feudal. • Insurreições urbanas - Criam uma situação
favorável à arbitragem do rei que as utilizará, muitas vezes, para reduzir o
poder da nobreza e corruptar a burguesia. • Desenvolvimento do comercio - Provoca a emergência de uma nova
classe que tem necessidade de que os particularismos feudais sejam superados
para que o comércio se expanda. A unificação da moeda, o fim das aduanas
internas, o desenvolvimento dos transportes e comunicações, e uma política de
expansão são necessidades que só um poder centralizado pode atender. Assim, o
rei contara com o apoio da burguesia. • Guerras - As guerras tiveram especial importância, pois exigiam
disciplina e comando centralizado. As relações vassálicas
foram, neste contexto, utilizadas como recursos de centralização do poder já
que através delas o rei pode convocar a nobreza e impor a ela seu comando. As
guerras mais importantes foram: da Reconquista Cristã, dos Cem Anos, das Duas
Rosas. O processo de formação do Estado Nacional moderno acabou por
concentrar nas mãos do rei todos os mecanismos de governo, fazendo com que a
nação se identificasse com a Coroa: é essa identificação que chamamos de
absolutismo. Diversos fatores contribuíram para o fortalecimento do poder
real, permitindo a sua evolução para o absolutismo:
4. Teorias sobre a origem e natureza do poder dos reis Em decorrência da centralização do poder real e da unificação, a
maioria dos Estados europeus caminhou no sentido das monarquias absolutas.
Entre os séculos XVI e XVII, surgiram inúmeros
filósofos justificando o absolutismo como o sistema político ideal. Tudo
indica que a sociedade, ao passar do Feudalismo descentralizado, rural e de
subsistência, onde a autoridade real era apenas teórica e a burguesia não
possuía a segurança necessária para realizar seus negócios, para a
centralização do poder, muitos só admitiram o progresso dentro ordem, só
através de um Estado fortemente centrado no rei. • Nicolau Maquiavel (1469- 1527): Suas idéias políticas encontram-se
principalmente em O Príncipe e Discursos sobre Tito Lívio. Combateu o governo
limitado e a Ética na política. Acreditava que, em política, só se devem ter
em mente os fins a atingir, sem se deixar dominar por preconceitos de ordem
moral, ("O fim justifica os meios"). Dizia que "mais vale ser
temido do que amado" Só via nos homens cinismo, ambição, egoísmo e
interesses pessoais. Descrevia o Estado, não de acordo com algum elevado ideal,
mas como na realidade era em seu tempo." Dizia que os homens viviam originalmente em estado natural sem se
sujeitarem a nenhuma lei vivendo. portanto, no caos. Terminaram por formar
uma sociedade civil e firmaram um contrato, no qual cediam todos os seus
direitos a um soberano suficientemente forte pare protegê-los. Diz, ainda,
que é lícito ao rei governar despoticamente não porque tenha sido escolhido
por Deus, mas porque o povo lhe deu o poder absoluto. • Hugo Grotius (1583-1645): É autor de Do
Direito da Paz e da Guerra. Não admitia poder existir ordem sem que fosse dado plenos poderes ao governante. • Jean Bodin (1530-1569): Em A República,
dizia que o poder do Estado é ilimitado, estando sujeito apenas às leis
divinas. "A autoridade do príncipe vem de Deus e a obrigação suprema do
povo é a obediência passiva". • Le Bret: Autor de Tratado da Soberania dos Reis. Dizia que as ordens
do rei tinham que ser acatadas, mesmo quando injustas, pois ele (o rei)
recebeu seus poderes diretamente de Deus. • Bossuet (1627-1704): Autor de Política
segundo a Sagrada Escritura. Para ele, os princípios da política estão
contidos na Bíblia. A autoridade real possui quatro características: Sagrada
(representante de Deus na terra), paternal, absoluta (e não, arbitraria) e
submissão a razão (e não, paixão). Afirmou que "como não ha poder
público sem vontade de Deus, todo governo, seja qual for sue origem, justo ou
injusto, pacifico ou violento, e legitimo. Todo depositário da autoridade,
seja qual for, é sagrado. Revoltar-se contra ele é cometer um sacrilégio. 6. O Absolutismo na Inglaterra O Absolutismo na Inglaterra teve início após a guerra das Duas Rosas.
Essa guerra foi uma luta entre duas famílias nobres – os
Lancaster e os York -, apoiadas por grupos rivais da nobreza. A guerra
terminou com a ascensão de Henrique Tudor, apoiado pela burguesia. O novo
monarca subiu ao trono com o nome de Henrique VII e fundou a dinastia Tudor.
Seu reinado foi de 1485 a 1509. Henrique VIII, segundo rei da dinastia, governou até 1547 e conseguiu
impor sua autoridade aos nobres, com o auxílio da burguesia. Fundador do
anglicanismo, seu rompimento com a Igreja católica permitiu-lhe assumir o
controle das propriedades eclesiásticas na Inglaterra. A rainha Isabel I, que reinou de 1558 a 1603, conseguiu aumentar ainda
mais o poder real. Completou a obra de Henrique VIII, seu pai, consolidando a
Igreja anglicana e perseguindo os adeptos de outras religiões. Foi durante
seu reinado que teve início a colonização inglesa na América do Norte. Isabel morreu sem deixar herdeiros e, por isso, subiu ao trono seu
primo Jaime I, que deu início à dinastia Stuart. Durante seu reinado, que foi
de 1603 a 1625, continuou a perseguição aos adeptos de outras religiões,
muitos dos quais acabaram emigrando para a América do Norte. Carlos I, filho e sucessor de Jaime I, subiu
ao trono em 1625. Seu reinado, do mesmo modo que o de seu pai, caracterizou-se pelo absolutismo e pelas perseguições
religiosas. Em 1642, os parlamentares e os burgueses iniciaram uma guerra contra o
rei. Liderados por Oliver Cromwell, derrotaram Carlos I. Cromwell assumiu o
poder com o título de "Lorde Protetor "e governou de 1649 a 1658. Em 1651, Cromwell lançou o Ato de Navegação, que ilimitava
a entrada e saída de mercadorias da Inglaterra aos navios ingleses e aos
navios dos países produtores ou consumidores; com isso, prejudicava o
comércio intermediário praticado pelos holandeses. A partir de então, a
Inglaterra passou a ser a grande potência marítima mundial, posição que
manteve até o fim da Primeira Guerra Mundial, já no século XX. Dois anos após a morte de Cromwell, ocorrida em 1658, o governo voltou
às mãos dos Stuart. Com isso, a Inglaterra teve mais dois soberanos de
tendências absolutistas: Carlos II, que reinou de 1660 a 1685 e Jaime II, de
1685 a 1688. Além de Ter tendências absolutistas, Jaime II era católico declarado.
E seria substituído no trono pelo filho que tivera com sua segunda esposa,
também católica. Com a primeira esposa, que era protestante,
Jaime II só tivera duas filhas. O Parlamento, temendo a volta ao catolicismo e ao absolutismo, uniu-se
e resolveu "convidar" o príncipe holandês Guilherme d’Orange,
casado com Maria Stuart, filha mais velha de Jaime II,
a invadir a Inglaterra e depor o rei, "a fim de restabelecer a liberdade
e proteger a religião protestante". Em novembro de 1668, Guilherme desembarcou na Inglaterra com um
exército de 14.000 homens, marchou sobre Londres e ocupou-a sem disparar um
só tiro. Jaime II fugiu para a frança, e Guilherme foi coroado rei com nome
de Guilherme II. Essa revolução, ocorrida sem derramamento de sangue,
denominou-se revolução Gloriosa. O novo rei, ao ser coroado, teve de jurar a Declaração de Direitos,
que assegurava ao Parlamento o direito de aprovar ou rejeitar impostos,
garantia a liberdade individual e a propriedade privada. A Declaração de
Direitos estabelecia também o princípio da divisão de poderes. Luis XIV, que adotou o sol como símbolo de seu poder, criou uma
infinidade de outros símbolos para demarcar sua posição de monarca absoluto.
Num tempo em que poucos sabiam ler, era necessário que as aparências pudessem
revelar poder e prestígio. Além de transformar em espetáculo a vida do rei, o absolutismo, foi
baseado em teorias defendidas por diversos pensadores que buscavam explicar e
justificar o poder absoluto dos reis. Na França, dois teóricos foram os
principais responsáveis por essa justificação: Jeam
Bodin e Jacques Bossuet.
Esses pensadores defendiam a idéia de que a autoridade do rei vem diretamente
de Deus e, sendo assim, o povo devia simplesmente obedecer-lhe; o rei estava
sujeito apenas à lei natural determinada por Deus. Assumindo integralmente a teoria do direito divino, Luis XIV se
consagrou como a própria encarnação do absolutismo na França. Quando assumiu
o trono, o país estava em intensa crise econômica e social, motivada pelas
guerras religiosas. Epidemias, fome, miséria, desemprego... Tal situação
originou revoltas armadas que os historiadores costumam chamar de Frondas: parte da nobreza, deputados e soldados que
retornavam da guerra se rebelavam contra o governo. |