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Pr. Marcelo Augusto de Carvalho

 

 

Curiosidades

09/08

 

 

 

Descobrimento do Brasil

Ocorre na tarde de 22 de abril de 1500, quando a esquadra de dez naus e três caravelas, comandada pelo navegador português Pedro Álvares Cabral, atinge o litoral sul da Bahia, 44 dias depois de ter saído de Portugal. O desembarque acontece apenas no dia seguinte e, em 26 de abril, é celebrada a primeira missa no Brasil. No dia 1º de maio, com a celebração da segunda missa diante de uma grande cruz de madeira marcada com o brasão real, Cabral oficializa a posse da nova terra e, no dia 2, segue viagem para as Índias.

Casualidade

Não há, até agora, total conhecimento das circunstâncias do descobrimento do Brasil pelos portugueses em 1500. Está descartada, porém, a hipótese da casualidade, segundo a qual a frota de Cabral teria se afastado de sua rota e, involuntariamente, encontrado a costa brasileira. Desde o início do século XV, Portugal envia expedições para o Atlântico Sul e seus navegadores conheciam bem os sentidos e direções das correntes marítimas entre os continentes africano e americano. Sabiam da existência da corrente descendente (Canárias), que permite a navegação costeira pelo continente africano até o Golfo da Guiné, e da corrente ascendente (Benguela), que inverte o sentido das embarcações. Para atingirem o sul da África, navegadores portugueses se afastavam da costa, evitando ventos e correntes ascendentes, e corrigiam a rota empurrados pela corrente descendente chamada Corrente do Brasil, que passa pelo Nordeste brasileiro e atinge o sul do continente africano.

Intencionalidade

Permanecem dúvidas quanto aos antecedentes da descoberta e aos verdadeiros objetivos da expedição de Cabral. Portugal sabia da existência de terras a Ocidente desde 1492, quando Cristóvão Colombo chega à América, e trata de garantir parte das terras através do Tratado de Tordesilhas, de 1494. Tem informações das expedições espanholas posteriores, algumas das quais teriam costeado o atual Nordeste brasileiro. E, imediatamente após o retorno de Vasco da Gama das Índias, em 1499, manda em segredo o cosmógrafo e navegante Duarte Pacheco Pereira refazer a sua rota e explorar a "quarta parte", o quadrante oeste do Atlântico Sul. O mesmo Duarte Pacheco Pereira toma parte na expedição de Cabral em 1500, cuja finalidade é, então, além de prosseguir as operações comerciais nas Índias, confirmar as explorações e tomar posse pública e oficialmente das novas terras. Portugal procura despistar possíveis concorrentes e esconder o conhecimento anterior da terra e a intenção de posse, evitando hastear o tradicional brasão real de pedra nas caravelas que compõem a frota de Cabral.

O Descobrimento do Brasil é um momento importante do processo de expansão marítima e comercial portuguesa nos séculos XV e XVI. Buscando alargar seus limites de atuação política e comercial, Portugal volta-se para o Atlântico, explorando inicialmente ilhas próximas e a costa africana. Com apoio da burguesia mercantil e da nobreza cruzadista, o Estado desenvolve uma poderosa estrutura de navegação – concretizada na Escola de Sagres do Infante Dom Henrique – para trazer da África ouro, marfim e escravos e, das Índias, o cravo, a canela e a pimenta, as famosas e rendosas especiarias. A disputa dos reinos europeus pelas terras do continente americano, inserida na expansão do capitalismo comercial, começa com Portugal e Espanha na vanguarda, e impulsiona o descobrimento e a colonização do Novo Mundo.

Carta de Nomeação de Pedro Álvares Cabral como comandante da frota que descobre o Brasil, datada de 15 de fevereiro de 1500

"Dom Manuel etc. fazemos saber a vos quapitaes fidalgos caualeiros escudeiros meestres e pylotos marinheiros e companha e ofiçiaes e todas outras pessoas que hys e jnviamos na frota e armada que vay pera a Jmdia que nos pela muyta confiamça que temos de pedraluarjz de guouuea fidalguo de nosa Casa e por conheçermos delle que nysto e em toda outra coussa que lhe emcarregamos nos saberaa muy bem seruir e nos daraa de sy muy boa comta e Recado lhe damos e emcarregamos a Capitanya moõr de toda a dita frota e armada Porem vollo noteficamos asy e vos mamdamos a todos em geerall e a cada huu em especiall que em todo o que per elle vos ffor requerjdo e da nossa parte mamdado cumpraes e facaes jmteiramente seus Requyrjmentos e mamdados asy e tam jmteiramente e com aquela diligemcia e bom cuydado que de vos confiamos e o faryes se per nos em'pessoa vos fosse dito e mamdado por que hasy o avemos por bem e noso serviço e aqueles que asy o fezerdes e comprirdes nos fares nysso muyto serviço e os que o comtrario que nam esperamos nos deseruiram muyto e lhe daremos por elo aqueles castigos que por taes cassos merecem Outrosy por que as coussas de nosso serviço sejam guardadas e ffeitas como deuem em semelhante rota e armada e por tall que sejam castigados aqueles que alguus malleficios e delitos cometerem contra nosso serviço, e em quaes quer outros cassos que acomtecer possam per esta presemte lhe damos todo noso imteiro poder e alçada da qual em todollos cassos ataa morte naturall ussaraa jmteiramente e se daram ha emxucaçam seus juizos e mamdados ssem delle haver apelaçam nem agravo Porem estepoder e allcada se nam emtemderaa nas pessoas dos capitaes das naaos e nauyos que com elle vaao e fidalguos e outros que na dita frota e armada emviamos quamdo alguus casos crimes cometerem per que deuam ser castigados por que sobre estes ssoomemte, se faram os proçessos de seus cassos e nos seram trazidos pera os vermos e segundo as calidades delles seram ponydos e castyguados como for justiça e em testemunho de todo mamdamos fazer esta carta per nos asinada e asselada do nosso sello a quall em todo mamdamos que se cumpra e guarde como nela se comtem sem mjmquoamento alguu.
Dada em a nosa cidade de lixboa a xb (15) dias de feuereiro amtonio carneiro a fez anno de Nosso Señor lhuu x.º de myll e quinhentos
."