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www.4tons.com Pr. Marcelo
Augusto de Carvalho |
Curiosidades 10/11 |
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FESTA DE ARROMBA Kathleen Fackelmann Os adolescentes que bebem demais enfrentam uma série de riscos, que
variam de ferimentos acidentais a morte por envenenamento alcoólico. Se as
pesquisas iniciais a esse respeito forem confirmadas, os cientistas talvez
possam acrescentar mais um perigo a essa lista, em breve: danos cerebrais. Estudos preliminares indicam que beber de maneira excessiva
regularmente pode danificar os cérebros adolescentes e dos jovens adultos,
ainda em estágio de desenvolvimento, e talvez destruir as células cerebrais
que ajudam a governar o aprendizado e a memória. Recentes estudos científicos representam as primeiras pinceladas do
retrato emergente do álcool sobre o cérebro dos jovens: - Exames tomográficos de cérebros de adolescentes que abusam do álcool
sugerem danos ao hipocampo, a região do cérebro responsável pelo aprendizado
e memória. Em média, os jovens que bebem pesadamente têm hipocampos 10%
menores do que os seus colegas, de acordo com um estudo. -Um segundo estudo demonstrou que os adolescentes que bebem demais se
saem mal em testes de memória. - Tomografias cerebrais de jovens mulheres que beberam pesadamente na
adolescência demonstram regiões de baixa atividade cerebral. Em risco estão pelo menos três milhões de adolescentes
norte-americanos que abusam do álcool regularmente. As pessoas brincam com a idéia de que o álcool mata neurônios, diz
Duncan Clark, pesquisador do Centro Médico da Universidade de Pittsburgh.
"Bem, nesse caso as implicações são bastante sérias". Clark e outros cientistas temem que os adolescentes e jovens adultos
que ficam bêbados regularmente sofram danos cerebrais duradouros, o que
tornaria mais difícil para eles se sair bem no trabalho e nos estudos. Os críticos alegam que é cedo demais para imputar a culpa pelos danos
cerebrais ao abuso do álcool. Eles dizem que muitos dos adolescentes que
bebem demais também usam outras drogas e sofrem outros fatores de riscos
capazes de prejudicar seus cérebros. Mas os pesquisadores enfatizam que embora o trabalho esteja ainda em
seus primeiros estágios, as evidências se inclinam rumo a uma ligação entre o
álcool e os danos a um cérebro jovem. As pesquisas demonstram que muitos
norte-americanos jovens favorecem porres pesados, com quatro ou cinco doses
de bebida consumidas em rápida seqüência. Uma pesquisa recente da Escola de saúde Pública da Universidade
Harvard, em Boston, concluiu que 44% dos estudantes tomam porres ocasionais,
e que 74% deles dizem ter passado por essa experiência durante o segundo
grau. "Temos um problema sério com o álcool entre os jovens", diz Enoch Gordis, diretor do
Instituto Nacional de Abuso do Álcool e Alcoolismo (INAAA), parte do
Instituto Nacional da Saúde, em Bethesda, Maryland.
Gordis e outros especialistas dizem que os novos
estudos, ainda longe de completos, representam uma advertência de que o
álcool pode prejudicar os cérebros dos jovens. "Os adolescentes que
bebem demais podem não realizar seu potencial máximo", diz Gordis. Até recentemente, os pesquisadores acreditavam que o cérebro já havia
completado seu desenvolvimento, na adolescência. Agora, os cientistas compreendem
que o cérebro realiza importantes avanços até os 20 ou 21 anos de idade. Aaron White, pesquisador do Centro Médico da Universidade Duke, em Durham, Carolina do Norte, e seus colegas estão tentando
determinar se isso significa que o cérebro jovem é um alvo especialmente
vulnerável ao álcool. A equipe que ele dirige injetou altas doses de álcool em ratos jovens -o equivalente humano a tomar 12 cervejas em uma
noite. Os ratos tiveram um dia de folga, e depois mais uma dose. A equipe
manteve esse padrão de porres induzidos por 20 dias. A equipe esperou que os ratos amadurecessem e se tornassem adultos, e
os colocou em um labirinto para teste de memória. Inicialmente, eles se
saíram bem. Mas o pesquisador H. Scott Swartzwelder
decidiu testar se haviam sofrido danos cerebrais mais sutis, que surgissem em
situações de pressão. Para descobrir, os ratos receberam uma injeção de
álcool e foram colocados no labirinto. O pequeno consumo de álcool não prejudicou o desempenho dos ratos que
não haviam sido submetidos ao tratamento de porres. E nem retardou os ratos
que recebiam doses regulares de álcool como adultos. Mas os ratos que haviam
recebido alta dosagem de álcool como adolescentes encontraram problemas.
Cometeram erros e mais erros. "Eles tiveram desempenho duas vezes pior do que o dos demais
grupos", diz Swartzwelder. Possível dano ao hipocampo A equipe considera que o álcool tenha
causado ferimentos no hipocampo, uma região cerebral usada para tarefas de
memória e aprendizagem. As conclusões foram divulgadas na edição de agosto da
publicação "Alcoholism: Clinical
and Experimental Research"
["Alcoolismo: Pesquisa Clínica e Experimental"]. Outras pesquisas sugerem que bebedeiras sobrecarregam um receptor de
proteína nas células do hipocampo, diz White. Quando operam adequadamente, os
receptores ajudam o cérebro a codificar os acontecimentos recentes. As
proteínas ajudam a instalar uma lembrança de forma que facilite sua
utilização posterior. Os pesquisadores acreditam que as bebedeiras podem conduzir à morte de
células no hipocampo. A perda dessas células talvez explique o mau desempenho
dos ratos no labirinto, diz Swartzwelder. Há também pesquisas com seres humanos sugerindo que adolescentes e
jovens adultos que passam por bebedeiras regularmente estão danificando seus
hipocampos. Os adultos que bebem pesadamente por 20 ou 30 anos danificam,
sabidamente, certas regiões de seus cérebros. Mas acreditava-se que os
ferimentos resultassem de décadas de banhos de álcool tóxico no cérebro, diz
Michael De Bellis, pesquisador do Centro Médico da
Universidade de Pittsburgh. De Bellis e seus
colegas recrutaram 12 adolescentes e jovens adultos com sérios problemas de
bebida. Eles realizaram tomografias em seus cérebros e as compararam com as
de 24 jovens sem problemas de bebida. Em média, os jovens que bebem têm hipocampos 10% menores do que os do
grupo de controle, "uma diferença substancial", diz Clark, co-autor
do trabalho. Quanto maior tenha sido o período em que o adolescente vem
bebendo, tanto menor seu hipocampo. O estudo em pequena escala, publicado pelo "The
American Journal of Psychiatry" em sua
edição de maio, não prova que o álcool, e não outro fator qualquer, danifica
o hipocampo, acautela De Bellis. Mas essas conclusões se enquadram em outro estudo de MRI (imagem
magnética), este com 10 mulheres jovens que costumavam abusar do álcool na
adolescência. Todas as 10 haviam deixado de beber antes do estudo. Os pesquisadores usaram um tipo de MRI que fotografa o cérebro
enquanto as mulheres realizam um teste -no caso, tinham
de lembrar a localização de objetos em uma tela de computador. Comparadas a
10 mulheres saudáveis da mesma idade, as mulheres com antecedentes de bebida
encontraram problemas para relembrar a localização dos objetos, diz Susan Tapert, co-autora do trabalho, da Universidade da
Califórnia em San Diego. As imagens magnéticas das 10 bebedoras mostram regiões mais lentas em
seus cérebros. A preocupação é que o álcool tenha danificado partes do
cérebro envolvidas com a memória espacial. No mundo real, esses danos
poderiam causar problemas para operações matemáticas ou até mesmo na simples
leitura de um mapa, diz Tapert. E o estudo sugere que os danos cerebrais, se existem, são duradouros.
Algumas das mulheres testadas, que estavam perto dos 20 anos de idade (alguns
anos a mais ou a menos do que 20) estavam livres do álcool há meses. No
entanto, continuavam a demonstrar deficiências em suas funções cerebrais, diz
a co-autora Sandra Brown. A equipe de San Diego descobriu sinais
adicionais de problemas de raciocínio em um estudo com 33 adolescentes, na
casa dos 15 e 16 anos, que vinham bebendo pesadamente já há alguns anos. Os pesquisadores deram a eles uma lista de nomes e 20 minutos mais
tarde pediram que a repetisse. Os 24 membros do grupo de controle, sem
antecedentes de consumo pesado de álcool, se lembraram de 95% dos nomes. Os
que abusaram do álcool mencionaram apenas 85% deles, diz Tapert. Isso equivale a tirar nota B em lugar de A em um exame, diz ela. Os
pesquisadores descreveram seus resultados na edição de fevereiro de "Alcoholism: Clinical and Experimental Research"
["Alcoolismo: Pesquisa Clínica e Experimental"]. Uma vez mais, a implicação é de que o álcool prejudicou regiões do
cérebro envolvidas com a memória. Os adolescentes que bebiam tiveram
problemas para se lembrar de nomes -algo que pode se
traduzir em dificuldade para recordar fatos durante provas escolares e se
agravar na direção de péssimos resultados para os seus estudos, diz Brown. Essas conclusões sugerem que o álcool ataca o cérebro, se bem que as três equipes de pesquisadores tenham declarado que os
resultados ficam bem aquém de uma acusação formal. É quase impossível
localizar pessoas que abusem de álcool que não tenham usado outras drogas
como a maconha, dizem. Talvez os danos resultem da maconha, e não do álcool,
e isso cause as dificuldades de memória, diz Linda Spear,
pesquisadora de álcool e drogas na Universidade Estadual de Nova York em Binghampton. E os estudos de tomografia são pequenos
demais em escala para oferecer prova de danos cerebrais, diz ela. Não desistam dos jovens Houve uma "corrida para julgar" da
parte da comunidade de pesquisa, diz Spear. Ela se preocupa com a possibilidade de que as pessoas descartem os
jovens que abusam do álcool como irrecuperáveis. "Precisamos ser cautelosos", diz Kenneth Sher,
pesquisador do álcool na Universidade do Missouri, em Columbia. Os estudos
realizados até agora não provaram conclusivamente que o álcool danifica o
cérebro jovem. "No entanto, são conclusões extremamente
provocantes", diz. As pesquisas de Sher sugerem que
adolescentes que bebem demais encontram problemas em testes cognitivos. Suas
conclusões sugerem que o cérebro é mais vulnerável ao assalto tóxico do
álcool na adolescência, e não nos anos de universidade. Swartzwelder diz que ele
apostaria na teoria de que o álcool prejudica o cérebro na juventude.
"As linhas convergentes de evidências oferecem um argumento bastante
convincente", diz. No mínimo, as conclusões deveriam alertar os pais, professores e
outros, diz Brown. Os garotos com problemas de álcool deveriam ser tratados o
mais rápido possível, diz ela. Se novas pesquisas provarem que beber demais
danifica o cérebro, os problemas podem ser revertidos, alega. Mesmo que as pesquisas descartem os danos cerebrais, há preocupações
quanto à possibilidade de que beber demais prejudique a memória de curto
prazo, diz Swartzwelder. O álcool,
acredita-se, perturba os receptores cerebrais que formam as
lembranças, diz. Assim, mesmo que as células não morram, uma dose pesada de
álcool prejudica a capacidade de codificar eventos e fatos recentes.
Portanto, os garotos que estudam de dia e bebem de noite têm problemas em
lembrar suas lições na prova do dia seguinte. Swartzwelder tem uma mensagem
simples para os estudantes: o álcool faz mal à memória. Tradução: Paulo Migliacci. |