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www.4tons.com Pr. Marcelo
Augusto de Carvalho |
Curiosidades 10/12 |
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SER ALCOÓLATRA É SER DOENTE? De forma direta, o tema específico do alcoolismo foi incorporado pela
OMS à Classificação Internacional das Doenças em 1967 (CID-8), a partir da 8ª
Conferência Mundial de Saúde. No entanto, essa questão não pode ser vista
apenas como um fato cronológico. A questão do impacto sobre a saúde provocado
pelo abuso do álcool já vinha sendo objeto de discussão pela OMS desde o
início dos anos 50, compondo um processo longo de maturação (que até hoje
ainda é objeto de contendas médico-científicas).
Consta que em 1953 a OMS, através do seu Expert Comittee on Alcohol,
já havia decidido que o álcool deveria ser incluído numa categoria própria,
intermediária entre as drogas provocadoras de dependência e aquelas apenas
formadoras de hábito (sobre isso consulte o documento da OMS denominado: Technical Repport 84,10 (1954). Uma resposta sobre data e fato não comportaria a riqueza dos debates e
as sutilezas conceituais que envolveram a questão do alcoolismo no âmbito da
OMS. Além disso, é interessante acompanhar como desenvolveram-se
tais debates no interior de várias outras instâncias científicas e médico-corporativas (tanto no Brasil como no exterior).
Esse tipo de investigação é útil quando se quer entender adequadamente um
fenômeno que no fundo remete a uma série de determinantes que tangenciam as
mais diversas fronteiras do conhecimento. 1. All about drugs – Franz Bergel & D.R.A. Davies. Barnes and Noble Inc., N.
York, 1972. O ÁLCOOL E OS IDOSOS Aposentadoria, perda de parentes e amigos, internações hospitalares,
insônia e tremor empurram, cada vez mais, uma parcela da população idosa para
o alcoolismo. Não importa onde estejam, mas certamente os idosos ou
aposentados que habitam os grandes centros urbanos são mais vulneráveis e
mais propensos a afogarem as mágoas num copo de álcool. Tudo para não se
sentirem abandonados, num canto qualquer de uma cidade, observando o passar
dos dias sem motivação para agirem. Situação que se agrava porque uma dose de
álcool por dia para alguém mais velho e com um organismo já debilitado pode
causar problemas cognitivos, como dificuldade de locomoção e fala, e agravar
doenças vasculares. Estas são as principais conclusões de pesquisa realizada pelo Núcleo
de Estudos sobre Envelhecimento e Saúde do Idoso, do Departamento de
Administração e Planejamento em Saúde (Daps) da
Escola Nacional de Saúde Pública, da Fundação Oswaldo Cruz. Ao analisar o comportamento de 120 idosos, que procuram o centro de
atendimento ao alcoólico e sua família da Fiocruz,
os pesquisadores da instituição perceberam que a maioria deles já havia se
aposentado e tinha um histórico de perdas. Em comum, são pessoas que
encontraram no álcool um alívio arriscado para a tensão cotidiana provocada
pela ociosidade e a ausência de uma tarefa capaz de reconhecer e estimular
suas habilidades. Envelhecimento - O que fazer, então, para solucionar o problema,
levando-se em conta que a população brasileira está envelhecendo? Em 1991, 13 milhões de pessoas tinham mais de 60 anos, total que deve
chegar a 20 milhões no Censo 2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE). E a média de crescimento desse universo vem sendo mantida
desde 1960. Para o psiquiatra Marcelo Alves Chagas, autor do estudo da Fiocruz, o dependente nunca vai abandonar a bebida, por
isso é importante que o vínculo com esse paciente seja permanente, caso
contrário ele volta ao álcool. "Na Fiocruz, há
um programa de semi-internato para o dependente químico. Porém, o alcoolismo
ainda é visto de uma forma ineficaz na grande maioria dos hospitais. Tem de
ocorrer uma integração entre o serviço clínico e o atendimento psiquiátrico
para se tratar do alcoólatra", diz Chagas. O psiquiatra encontra respaldo na receita que dá para o problema nas
próprias estatísticas feitas por sua equipe. Hoje, por exemplo, cerca de 100
pacientes são atendidos pelo programa da Fiocruz e,
após um mês de tratamento, de 80% a 90% dos pacientes param de beber. Porém,
aproximadamente 70% deles voltam a beber depois de três meses. Mas, entre
aqueles que mantêm o vínculo com o programa, apenas 30% retornam ao álcool. A dificuldade está em motivar essas pessoas, integrá-las a um grupo
social, em que possam enfrentar os mesmos problemas em conjunto, rompendo a
solidão que faz com que um copo vazio, cheio de ar, precise do álcool para
ganhar densidade. Fonte: Jornal o Estado de São Paulo - Repórter Carlos Franco. |