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Pr. Marcelo Augusto de Carvalho

 

 

Curiosidades

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SER ALCOÓLATRA É SER DOENTE?

De forma direta, o tema específico do alcoolismo foi incorporado pela OMS à Classificação Internacional das Doenças em 1967 (CID-8), a partir da 8ª Conferência Mundial de Saúde. No entanto, essa questão não pode ser vista apenas como um fato cronológico. A questão do impacto sobre a saúde provocado pelo abuso do álcool já vinha sendo objeto de discussão pela OMS desde o início dos anos 50, compondo um processo longo de maturação (que até hoje ainda é objeto de contendas médico-científicas). Consta que em 1953 a OMS, através do seu Expert Comittee on Alcohol, já havia decidido que o álcool deveria ser incluído numa categoria própria, intermediária entre as drogas provocadoras de dependência e aquelas apenas formadoras de hábito (sobre isso consulte o documento da OMS denominado: Technical Repport 84,10 (1954).

Uma resposta sobre data e fato não comportaria a riqueza dos debates e as sutilezas conceituais que envolveram a questão do alcoolismo no âmbito da OMS. Além disso, é interessante acompanhar como desenvolveram-se tais debates no interior de várias outras instâncias científicas e médico-corporativas (tanto no Brasil como no exterior). Esse tipo de investigação é útil quando se quer entender adequadamente um fenômeno que no fundo remete a uma série de determinantes que tangenciam as mais diversas fronteiras do conhecimento. 

Listamos aqui, de modo muito sumário, alguns títulos que podem ajudar. Ressaltamos que esses títulos representam vários pontos de vista e por isso devem ser lidos com cautela e numa perspectiva de problematização.

1. All about drugs – Franz Bergel & D.R.A. Davies. Barnes and Noble Inc., N. York, 1972.
2. Alcoolismo: o que você precisa saber – Donald M. Lazo. Edições Paulinas, São Paulo, 1989.
3. Alcoolismo: doença no mundo do direito – João Régis Fassbender Teixeira. Juruá Editora, Curitiba, 1992.
4. Alcoholism – Eva Maria Blum & Richard H. Blum. Jossey-Bass Inc., Lond, 1972.
5. Lexicon of alcohol and drug terms – Organização Mundial de Saúde, 1994.
6. The natural history of alcoholism - George E. Vaillant. Harvard University Press, 1983.
Fonte: Imesc.

 

O ÁLCOOL E OS IDOSOS

Aposentadoria, perda de parentes e amigos, internações hospitalares, insônia e tremor empurram, cada vez mais, uma parcela da população idosa para o alcoolismo. Não importa onde estejam, mas certamente os idosos ou aposentados que habitam os grandes centros urbanos são mais vulneráveis e mais propensos a afogarem as mágoas num copo de álcool. Tudo para não se sentirem abandonados, num canto qualquer de uma cidade, observando o passar dos dias sem motivação para agirem. Situação que se agrava porque uma dose de álcool por dia para alguém mais velho e com um organismo já debilitado pode causar problemas cognitivos, como dificuldade de locomoção e fala, e agravar doenças vasculares.

Estas são as principais conclusões de pesquisa realizada pelo Núcleo de Estudos sobre Envelhecimento e Saúde do Idoso, do Departamento de Administração e Planejamento em Saúde (Daps) da Escola Nacional de Saúde Pública, da Fundação Oswaldo Cruz.

Ao analisar o comportamento de 120 idosos, que procuram o centro de atendimento ao alcoólico e sua família da Fiocruz, os pesquisadores da instituição perceberam que a maioria deles já havia se aposentado e tinha um histórico de perdas. Em comum, são pessoas que encontraram no álcool um alívio arriscado para a tensão cotidiana provocada pela ociosidade e a ausência de uma tarefa capaz de reconhecer e estimular suas habilidades.

Envelhecimento - O que fazer, então, para solucionar o problema, levando-se em conta que a população brasileira está envelhecendo?

Em 1991, 13 milhões de pessoas tinham mais de 60 anos, total que deve chegar a 20 milhões no Censo 2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). E a média de crescimento desse universo vem sendo mantida desde 1960.

Para o psiquiatra Marcelo Alves Chagas, autor do estudo da Fiocruz, o dependente nunca vai abandonar a bebida, por isso é importante que o vínculo com esse paciente seja permanente, caso contrário ele volta ao álcool. "Na Fiocruz, há um programa de semi-internato para o dependente químico. Porém, o alcoolismo ainda é visto de uma forma ineficaz na grande maioria dos hospitais. Tem de ocorrer uma integração entre o serviço clínico e o atendimento psiquiátrico para se tratar do alcoólatra", diz Chagas.

O psiquiatra encontra respaldo na receita que dá para o problema nas próprias estatísticas feitas por sua equipe. Hoje, por exemplo, cerca de 100 pacientes são atendidos pelo programa da Fiocruz e, após um mês de tratamento, de 80% a 90% dos pacientes param de beber. Porém, aproximadamente 70% deles voltam a beber depois de três meses. Mas, entre aqueles que mantêm o vínculo com o programa, apenas 30% retornam ao álcool.

A dificuldade está em motivar essas pessoas, integrá-las a um grupo social, em que possam enfrentar os mesmos problemas em conjunto, rompendo a solidão que faz com que um copo vazio, cheio de ar, precise do álcool para ganhar densidade.

Fonte: Jornal o Estado de São Paulo - Repórter Carlos Franco.