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www.4tons.com Pr. Marcelo
Augusto de Carvalho |
Curiosidades 10/14 |
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CAMINHO PARA
OUTRAS DROGAS A bebida é geralmente a primeira
substância com que o jovem trava contato e seu consumo é estimulado pela
sociedade. Durante muitos anos, o consumo de
maconha foi considerado como o primeiro estágio da dependência química.
Depois de fumar cigarros preparados com a erva, a
pessoa passaria a usar drogas cada vez mais pesadas e em maior quantidade. As
recentes pesquisas, porém, descartam essa tese,
batizada de Teoria da Escalada. O resultado dos estudos e a própria
experiência dos médicos demonstram que o problema começa de outra forma: no
consumo exagerado de bebidas alcoólicas. Pesquisa da professora Sandra Schivoletto, em São Paulo, demonstra que o álcool “é a
primeira droga usada por adolescentes”. Pelo levantamento, o contato com a
bebida ocorre, em média, aos 11 anos. O cigarro vem depois, aos 12 anos. A média de idade para o primeiro uso de maconha é de 13
anos e o da cocaína, 14 anos. Além de o contato com a bebida ser
mais precoce, a relação que o adolescente estabelece com ela também causa
preocupação. Grande número de jovens vincula o consumo de bebidas ao lazer.
“Associar o álcool ao amadurecimento e ao prazer são atitudes que acabam levando
ao abuso”, afirma Sandra. Outro aspecto fundamental é a
facilidade de acesso à bebida. Embora a sua venda seja proibida para menores
de 18 anos, em todos os pontos do País existem locais onde jovens compram e
ingerem álcool livremente. “A cultura de que os encontros têm de ser regados
com bebidas alcoólicas aumentou de forma considerável nos últimos anos e os
jovens, para se sentir integrados, acabam adotando esse mesmo hábito”, diz
Andrade. Os especialistas advertem que os
perigos são muitos, principalmente quando se leva em conta também o
metabolismo de pessoas mais jovens. “Os efeitos são potencializados”, garante
Sandra. Para os médicos, nem todas as pessoas que durante um período abusaram
da bebida terão problemas ao longo da vida. Mas o
risco é alto. Marketing para jovens – A professora
do Departamento de Medicina Preventiva da FMUSP Beatriz Carlini
Cotrim lembra que o consumo de álcool aumentou de forma significativa. “O
marketing hoje é voltado para conquistar um público mais jovem”, afirma. Para
Beatriz, o ideal seria que limites mais rígidos
fossem fixados para impedir o acesso dos adolescentes ao álcool. “É claro que
a medida sozinha não basta, mas é preciso começar de algum ponto”, explica. A
especialista acha que a geração atual de pais reluta muito em impor
proibições e limites aos filhos: “A sociedade ficou traumatizada com a
ditadura e hoje tem dificuldades para estabelecer certas normas.” Beatriz,
contudo, entende que os pais deveriam ser mais
severos com relação à bebida e mais rigorosos na fiscalização do consumo de álcool.
“Álcool não é iogurte de morango, pois sua ingestão traz vários riscos e, por
essa razão, ele não pode ser usado de forma irresponsável.” As críticas da
professora têm uma justificativa: em pesquisa que fez com Alice Chasin, sobre as mortes violentas ocorridas na região
metropolitana de São Paulo em 1994, constatou que 50% dos atropelados, 60%
dos afogados e 50% das vítimas de homicídio haviam ingerido altas doses de
álcool. Fonte: Jornal o Estado de São Paulo
- Repórter Ligia Formenti |