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Pr. Marcelo Augusto de Carvalho

 

 

Curiosidades

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INALANTES

INALANTES: toda a substância que pode ser inalada, isto é, introduzida no organismo através da aspiração pela boca ou nariz.

SOLVENTES: substância capaz de dissolver coisas. Via de regra, todo o solvente é uma substância altamente volátil, isto é, evapora-se muito facilmente podendo, por isso, ser inalado. Devido a essa característica, são, portanto, chamados de inalantes. Muitos dos solventes ou inalantes são inflamáveis, ou seja, pegam fogo facilmente.

Os solventes passam a ser utilizados como droga de abuso por volta de 1960 nos EUA. No Brasil o uso de solventes começa a aparecer no período de 1965-1970. Hoje, o consumo de solventes se dá muito em países do chamado Terceiro Mundo, enquanto que em países desenvolvidos a freqüência de uso é muito baixa.

 

Os solventes são drogas muito utilizadas por meninos de rua como forma de, por exemplo, sanar a fome e por estudantes de 1º e 2º graus dado seu fácil acesso e baixo custo. Eles podem ser aspirados voluntariamente (caso dos meninos de rua que cheiram cola de sapateiro) ou involuntariamente (trabalhadores de indústrias de sapatos ou de oficinas de trabalho, expostos ao ar contaminado por essas substâncias).

 

O clorofôrmio e o éter chegaram a servir como drogas de abuso em outros tempos e depois seu uso foi praticamente abandonado. No Brasil, a moda voltou com os lança-perfumes trazidos da Argentina. O clorofórmio é conhecido desde 1847 como anestésico, mas foi abandonado porque surgiram anestésicos mais eficientes e seguros. Assim também ocorreu com o éter. Há referências ao abuso do éter como substituto do álcool durante a Lei Seca nos Estados Unidos e durante a Segunda Guerra Mundial na Alemanha.

 

Por volta de 1960, os lança-perfumes, que eram feitos de Cloreto de Etila, começaram a ser aspirados para dar sensação de torpor, tontura e euforia. O Quelene, anestésico local, formava par com o lança-perfume e era empregado fora das épocas de Carnaval, quando a disponibilidade do lança-perfumes era menor. Muitas pessoas morreram de parada cardíaca provocada por essa droga e, por volta de 1965, o governo brasileiro proibiu a fabricação dos lança-perfumes e do Quelene. Contudo, começaram a surgir referências ao retorno do uso de lança-perfumes, só que como um produto feito à base de clorofôrmio e éter.

 

EFEITOS FÍSICOS E PSÍQUICOS

 

Após a aspiração, o início dos efeitos é bastante rápido. Entre 15-40 minutos já desapareceram. O efeito dos solventes vai desde uma pequena estimulação, seguida de uma depressão, até o surgimento de processos alucinatórios. Os principais efeitos são caracterizados por uma depressão da atividade do cérebro.

 

O tolueno, presente na cola de sapateiro, tem efeito similar ao do álcool: provoca euforia, perda da coordenação motora e, no extremo, vômito e coma.

 

O éter, principal ingrediente do lança-perfume, deprime o sistema nervoso central, podendo provocar desmaio, enfarte e gastrite.

 

O aparecimento dos efeitos após a inalação foi dividido em 4 fases:

1a. fase: fase da excitação. A pessoa fica eufórica, aparentemente excitada, ocorrendo tonturas e perturbações auditivas e visuais. Podem aparecer náuseas, espirro, tosse, muita salivação e as faces podem ficar avermelhadas.

 

2a. fase: a depressão começa a predominar. A pessoa entra em confusão, desorientação, fica com a voz pastosa, começa a ter a visão embaçada, perda do autocontrole, dor de cabeça, palidez e começa a ver e a ouvir coisas.

 

3a. fase: a depressão se aprofunda com redução acentuada do estado de alerta, incoordenação ocular, incoordenação motora, fala "enrolada", reflexos deprimidos, já podendo ocorrer processos alucinatórios.

4a. fase: aparece a depressão tardia, podendo chegar a inconsciência. Há queda de pressão, sonhos estranhos, podendo ocorrer surtos de convulsão. Há possibilidade de se chegar ao coma* e à morte.

 

A aspiração repetida, crônica, pode levar à destruição dos neurônios, lesões(danos) irreversíveis.

 

Os usuários podem apresentar-se apáticos*, com dificuldade de concentração e com déficit* de memória.

 

Os solventes, inalados crônicamente, podem levar a lesões(danos) no sistema nervoso, na medula óssea, rins, fígado, coração e dos nervos periféricos que controlam os nossos músculos, podendo causar paralisia.

 

A tolerância (a droga perde o efeito e é preciso aumentar a quantidade do solvente para voltar sentir os mesmos efeitos) ocorre ao fim de 1 a 2 meses de uso dependendo da pessoa e do tipo de solvente usado.

 

Os solventes tornam o músculo cardíaco (o coração) muito sensível a uma substância que aparece normalmente no sangue, quando a pessoa exerce um esforço extra como por exemplo correr ou quando toma um susto. Essa substância é a adrenalina. Assim, se uma pessoa inala um solvente e logo depois faz esforço físico, o seu coração pode sofrer danos, pois ele estará muito sensível à adrenalina liberada por causa do esforço. A literatura médica já descreveu vários casos de morte, por síncope cardíaca, principalmente de adolescentes.

 

A dependência naqueles que abusam cronicamente de solventes é comum. A síndrome de abstinência*, está presente na interrupção abrupta do uso dessas drogas, aparecendo ansiedade agitação, tremores, câimbras nas pernas e insônia.

 

Depressão da atividade do cérebro: diminuição da atividade cerebral.

Coma: perda das atividades cerebrais superiores.

 

Déficit de memória: perda de momória temporária.

 

Síndrome de abstinência: série de reações decorrentes da interrupção do uso de determinado produto ou substância.

 

NOMES COMERCIAIS:

 

Os solventes estão presentes em muitos produtos comerciais. Existem dois grupos principais:

 

1) Substâncias voláteis: éter, clorofórmio, gasolina, benzina, fluido de isqueiro, carbex etc.

 

2) Substâncias usadas na indústria como solvente, diluente e adesivas: cola de sapateiro, tintas, vernizes, removedores, limpa-manchas, esmaltes etc.

 

Estes produtos pertencem a um grupo químico chamado Hidrocarbonetos Aromáticos ou Afiláticos cujas substâncias ativas são: Tolueno, N-hexano, Benzeno, Xilol, Acetato de Etila, Cloretila ou Cloreto de Etila, etc.

 

NOMES POPULARES: 

 

Cheirinho da loló ou loló (preparado clandestino à base de clorofórmio mais éter), lança-perfumes ou lança, cola etc.